7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Teria gostado muito de… mas…

Aqui há dias, numa rara conversa a dois – daquelas com tempo para acontecer – falávamos ironicamente sobre a falta de tempo que marca tanto a nossa vida.

Falávamos sobre estas fases de muito trabalho, com agendas carregadas de coisas para fazer e dos dias que correm como um rio furioso, que arrasta tudo e todos na sua corrente. Sobre esta sensação de que o tempo não é nosso e que controlamos muito pouca coisa. Sobre este desejo latente de termos a nossa vida de volta – apesar de eu saber que esta azáfama também é a vida a desenrolar-se.

“Teria gostado muito de ter ido treinar ontem, mas estava tão cansado”. “Eu teria gostado muito de poder dizer que adormeci de manhã – não me lembro da última vez que isso aconteceu!”. “Teria gostado muito que tivéssemos aproveitado as mini-férias do carnaval para ir com as miúdas à neve”. “De termos ido ao cinema ver aquele filme que já deve estar a sair em DVD”.

Fiquei a pensar nisto e chego à conclusão de que talvez esta seja a grande diferença para o tempo em que éramos apenas uns miúdos, na faculdade. Nessa altura, usávamos mais o “amanhã vamos fazer isto”. “E depois de amanhã, aquilo”.

Agora não.

Mas como crescer passa muito por fazer ajustes, já não ficamos tristes por não ter todo o tempo que gostaríamos para namorar. Ou para ir jantar fora. Ou simplesmente para conversar. Se houver no ar um “teríamos gostado muito de…”, está tudo bem. Há uma espécie de prémio de consolação. Uma compensação. E a vida segue – por vezes, como um rio furioso, que arrasta tudo e todos na sua corrente…

2 comentários em “Teria gostado muito de… mas…

  1. Sara

    Este fim de semana pedimos autorização à nossa Micas de 11 anos e fomos na sexta feira a um concerto e beber um copo. No sábado andamos a passear e fomos jantar fora. Ela ficou em casa da avó (também elas a passar tempo de qualidade em conjunto, ir às compras, comer “asneiradas” e ver os programas de televisão que mais gostam). Não se queixou e nós agradecemos porque há meses que não tínhamos um momento assim. No domingo, pelas 15h, ligou-me ” a casa já está acessível a menores de 18 anos?”. Não pude deixar de dar uma gargalhada porque ela já entende que o tempo de namorar é importante para nós. Mas depois tudo volta à rotina e ao adormecer no nosso meio porque está frio e são esses momentos que nos trazem tanta ou mais felicidade. Porque é mesmo isso, é a vida a desenrolar-se. É sabermos que já não somos os “putos” com tempo livre para combinar as coisas à última da hora. Se der para ir vamos, se não der está tudo bem na mesma. Porque há tanto ainda por fazer, para ver, para viver… Em conjunto sempre.

    1. Catarina Fernandes Raminhos Autor

      É isso mesmo, Sara 🙂
      Temos de (continuar a) ter o nosso espaço enquanto casal, independentemente dos filhos, do trabalho e de tudo o que esta vida nos dá e leva!
      Um beijinho!

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