7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Roteiro catita de Hamburgo – parte I

Confesso que não tinha grandes expectativas em relação a Hamburgo. Não que tivesse uma opinião negativa acerca da cidade – eu não sabia era muito acerca dela (ao contrário do que aconteceu com Berlim, por exemplo, que já palpitava em mim muito antes de a conhecer pessoalmente).

Porquê Hamburgo? Porque o Raminhos queria muito ir a um evento de UFC – aka porrada – que se realizava lá no domingo e como estava a dever-me um fim-de-semana decidimos ir os dois. Simples!

Como prometido, aqui fica um roteiro muito pessoal desta cidade que se revelou incrível – escrevo no presente para ter a sensação de que ainda lá estou…

~~ DIA 1 ~~

Sexta-feira, 11h. Como temos apenas uma mochila às costas, saímos do avião, apanhamos o comboio para a Hauptbahnhof, a estação central, e metemo-nos logo pela Monckebergstrasse, a maior rua comercial da cidade (e uma das maiores da Europa).

O primeiro contacto com a cidade é muito positivo. Hamburgo recebe-nos com um dia de sol fantástico. Os edifícios são relativamente baixos, o que se torna acolhedor, e há uma forte ligação à água. A cidade desenvolve-se a partir do rio Elba e do lago Alster e depois é entrecortada por milhares de pontes que atravessam os canais. Tem mais pontes que Amsterdão e Veneza juntas, por isso imaginem!

Na Monckebergstrasse caminhamos pela sombra das árvores altas e quase em silêncio, apenas ao som de música clássica tocada ali mesmo. Não entramos nas lojas, queremos conhecer a cidade (acabámos por voltar mais tarde e encontrar coisas mesmo giras e diferentes, principalmente porque evitámos as multinacionais que existem em todas as cidades).

 

Ao descer a rua encontramos a Igreja de St. Jacobi e, logo mais à frente, a de St. Petri, que é a mais antiga da cidade – há muitas igrejas em Hamburgo e é fácil ficar com a sensação de que conhecemos a cidade de igreja em igreja.

Daqui avançamos em direcção ao centro e dou por mim a achar tudo bastante calmo. Não há grande barulho na rua, o trânsito rola de forma calma e há apenas que ter cuidado para não ocupar a faixa das bicicletas no passeio – sob pena de levarmos uma valente buzinadela… Os passeios são largos, por isso também não há razão nenhuma para sermos garganeiros e ocuparmos o espaço todo!

Chegamos ao centro e o cenário que começa a desenhar-se diante de nós é incrível: à direita aparece o Binnenalster, um enorme lago artificial com os seus barcos turísticos e centenas de pessoas sentadas na margem; e à esquerda, as arcadas que servem de abrigo a pequenas esplanadas e que culminam junto à praça do imponente edifício da Rathaus.

 

Entramos para conhecer os pátios e aproveitamos um deles para nos voltarmos a meter pelas artérias da cidade. Seguimos por umas mais estreitas, mas sempre cheias de gente nas esplanadas, com as bicicletas à espera, encostadas às arvores.

Não demoramos muito a chegar a Nikolaikirche, a igreja de São Nicolau, de que resta apenas a torre. O edifício ficou destruído durante os bombardeamentos de 1943, que devastou praticamente toda a cidade.

Por esta razão, Hamburgo é muito jovem. Tirando alguns edifícios históricos que escaparam ao ataque – muito poucos – todos os outros foram construídos nas décadas de 50 e 60.

Na cave da igreja há um museu que explica a história dos bombardeamentos e dos seus sobreviventes e que nos faz pensar no absurdo que foi e continua a ser a guerra (hoje com outros contornos, mas igualmente grave e devastadora).

Lá em cima, no topo da torre, consegue-se uma das melhores vistas sobre a cidade e sobre o rio. E vê-se, também, a torre de Saint Michel, para onde caminhamos de seguida, atravessando mais pontes e cruzando outros canais.

É um dos símbolos da cidade e os habitantes de Hamburgo chamam-lhe carinhosamente – e apenas – de “Michel”. Esta igreja protestante de arquitectura barroca, muito simples no interior, é conhecida por oferecer uma vista panorâmica sobre a cidade – como já tínhamos ficado de queixo caído anteriormente voltámos a subir – e voltámos a ficar de queixo caído.

Desta vez, com uma particularidade: os cadeados com nomes de namorados presos às grades da torre. Não sei se continuam juntos, mas os cadeados não há quem os tire de lá!

A “Michel” fica à entrada do Kleine Portugiesenvierte – ou simplesmente “o bairro português”. Mas já estamos a caminhar há algumas horas e decidimos deixar a visita para o dia seguinte e seguir em direcção ao hotel. E, apesar de seguirmos pelo caminho oposto, passamos por uma loja de produtos portugueses (mais à frente vamos perceber a influência da cultura portuguesa em Hamburgo!).

Almoçamos/lanchamos num restaurante vegan – há muitos e bons por aqui – numa rua cheia de becos a fazer lembrar a LX Factory.

Este dia termina em grande, com um jantar no Philipps, restaurante que recomendo vivamente! Fica na Turnerstrasse, rua aonde me arrependi de não ter voltado porque – montra sim, montra sim – havia roupas e artigos de decoração giríssimos… mas à hora a que fomos já estavam fechadas.

Em relação ao Phillips, qualquer que seja a vossa escolha vai ser acertada! E ainda são atendidos pelo dono – um alemão simpático, que viveu 6 meses no Brasil e que gosta de praticar o seu português.

Em breve, o capítulo II desta aventura 😉 

 

 

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