7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Voltaremos a encontrar-nos, São Miguel (parte I)

 

Que os Açores são o paraíso na terra eu já sabia, porque já tinha estado na Ilha Terceira e no Faial (e gostei de cada uma de maneira diferente).

Mas São Miguel foi uma surpresa que ultrapassou – em todos os momentos – as minhas expectativas. Todas as imagens que me chegaram ao longo dos anos através de fotos ou de vídeos não fazem jus à beleza natural da ilha, que tem paisagens de cortar a respiração e locais tão únicos que causam arrepios.

Tínhamos apenas dois dias e meio, divididos entre trabalho e passeio, por isso não traçámos grandes metas. O Raminhos já cá tinha estado três ou quatro vezes e acabou por ser um bom guia.

 

~~DIA 1 ~~

Chegámos ainda não eram 8h da manhã, por isso fomos tomar o pequeno-almoço ao hotel, em Ponta Delgada. Deixámos as mochilas e arrancámos em direcção às Furnas.

Aqui, visitámos as caldeiras, com o seu cheiro característico a enxofre e temperaturas elevadas que fazem cuspir vapor do chão.

Percebemos que a água que corria nas torneiras das fontes tinha diferentes cheiros e texturas e deixavam um rasto diferente na pedra, fruto da composição de cada uma.

Caldeiras de Furnas

Caldeiras de Furnas

Lagoa das Furnas

Lagoa das Furnas

Fomos à Lagoa das Furnas, onde ficámos sentados, junto à água, a olhar aquela imensidão azul, abraçada por infinitos tons de verde. Vimo-la de dois pontos diferentes e, em qualquer deles, era impossível não ficar rendido àquela paisagem.

Foi por um caminho selvagem – quase virgem – por entre as árvores de uma floresta densa que chegámos à Lagoa do Canário – uma estreia para os dois já que ele também nunca lá tinha estado.

Lagoa do Canário

Quando estávamos junto à água começou a chover a potes e tivemos de correr até ao carro, fazendo o caminho inverso.

Mas agora com um cheiro incrível a terra molhada e uma pequena cortina de vapor a subir do chão de terra escura, que ainda estava quente.

 

 

 

 

 

Ainda antes de almoço, neste primeiro dia, visitámos em Ribeira Grande a fábrica de licores e compotas Mulher de Capote – uma história de sucesso contada pela responsável, uma senhora lindíssima e de uma simpatia rara.

Gostei especialmente do licor de maracujá e da compota de ananás com maracujá e fiquei com vontade de visitar a loja de Lisboa, na Rua Viriato.

Passámos pelo centro de Ribeira Grande, no caminho para o almoço – já combinado em Lisboa para o “Botequim Açoriano”, restaurante do nosso amigo Rúben.

Fomos muito bem recebidos pelo chefe de sala que é o melhor dos anfitriões. Começámos com o típico queijo branco (fresco) com pimenta da terra, passámos a umas lapas maravilhosas e, sem pedirmos, chegou à mesa uma morcela com ananás que estava qualquer coisa!

Lapas n’O Botequim Açoriano

O prato principal foi o mais difícil de escolher, porque a oferta é muito variada.

Aceitámos a sugestão do chefe de sala e pedimos o bife de atum grelhado. O melhor que já comemos, de longe – e nós até comemos bastante bife de atum – super suculento e com um sabor incrível. Uma maravilha!

 

 

Depois deste almoço tão reconfortante, fomos em direcção a Ginetes, onde visitámos o farol. Em miúda, sentia um fascínio enorme por faróis e achava que um dia iria viver num. Agora não consigo imaginar-me num local tão solitário, ainda que com uma vista tão tão bonita. E dei por mim a olhar para o estendal com roupa a balouçar ao vento e a questionar-me sobre quem viveria ali…

Bem pertinho ficam as Piscinas Naturais da Ponta da Ferraria, onde é possível tomar banhos quentes na pseudocratera (uma formação de origem vulcânica, que se assemelha a uma cratera de vulcão, mas onde não há emissão de lava).

Não entrámos na água, porque estava muito vento – e, lá está, não tínhamos muito tempo – mas (mais uma vez) o enquadramento do local convidou-nos a ficar por ali, a olhar para aquele mar infinito e infinitamente azul, com o vento a bater na cara e o sol, até agora envergonhado, a aparecer bem quentinho.

Descobrimos um site, www.spotazores.com, com webcams instaladas nos principais pontos turísticos da ilha, que nos dá a imagem em tempo real. Percebemos que a Lagoa das Sete Cidades, encoberta durante todo o dia, estava agora fantástica, sem qualquer nevoeiro. Era ideal para terminar esta tarde da melhor forma!

E assim foi, parámos cá em cima no miradouro e eu confesso que fiquei arrepiada com o que estava a ver – e não estava nem frio nem vento! Que imagem mais perfeita! A lagoa azul e a lagoa verde, lá em baixo, com a ponte a meio.

Lagoa das Sete Cidades

Descemos para ter outra perspectiva da lagoa. Estacionámos do lado da lagoa verde e assim que chegámos à beira da água vimos patos de todas as cores em ameno convívio com os lagostins que iam saindo da água por entre as ervas e ficavam a olhar com ar desconfiado para nós – com razão porque estávamos a entrar em casa deles.

Ali ficámos mais uns minutos, a tentar descobrir adjectivos para qualificar aquele lugar… e a sentirmo-nos ao mesmo tempo umas formiguinhas perante a imensidão da paisagem e os mais sortudos ao cimo da terra por estarmos ali.

À noite, decidimos regressar às Furnas para jantar. Recomendaram-nos o restaurante “À Terra”, do Furnas Boutique Hotel. Ficámos no terraço, junto ao jardim de ervas aromáticas – um local acolhedor e tranquilo.

Terraço do “À Terra”

Jantámos muito bem. Eu pedi carne porque achei que ir a São Miguel e não provar um bom bife seria um desperdício e ele, que não come carne, pediu o prato vegetariano, que estava igualmente delicioso.

Pagámos um preço bem simpático, tendo em conta a qualidade do jantar e todo aquele enquadramento (onde incluímos os empregados de mesa, super disponíveis e simpáticos).

 

 

A noite estava boa e fomos conhecer a Poça da Dona Beija. Um local mágico, onde teremos de regressar na próxima viagem porque merece uma tarde bem passada. De molho, de preferência 🙂

 

(Continua…)

11 comentários em “Voltaremos a encontrar-nos, São Miguel (parte I)

  1. Branca Silva

    Bem, já fui à Madeira e adorei, agora vou ter k conhecer são Miguel, com tanta beleza descrita … Em poucos dias foram conhecer muita coisa, às vezes vamos uma semana e não vemos quase nada… Muito bom o texto. Parabéns…

  2. Conceição Guimarães

    E faltou a lagoa do fogo, a fábrica do chá Gorreana , a mais antiga, a tromba do elefante, o Caloura, o parque Terra nostra…. Mas o que descreveu é tal e qual o que encontramos 😍😍😍

  3. Alice Santos

    S. Miguel é, sem dúvida, um pedacinho de paraíso… Como tal, sabe bem lá voltar, com frequência… Cada recanto que contemplamos nos faz perceber que, até então, nunca os nossos olhos vislumbrar am tal beleza, matizada por uma palete de cores incrível, que magistralmente mistura os verdes com o azul de um mar imenso e único.
    Único e arrepiante é, também, o silêncio que se escuta em cada paisagem que contemplamos… Arraqui, a natureza mostra-nos uma calma a que já nem estamos habituados.
    Aquilo que eventualmente se possa dizer ou mostrar pelas imagens captadas, ficará indubitavelmente aquém do que os nossos sentidos percecionam, in locco.

  4. Maria dos Anjos Avelar

    Muito obrigada, pelos comentários referentes à minha maravilgosa ilha, fora de qualquer dúvida, S. Miguel é o Havaí dos Açores, muita pena tive que não conseguisse tomar banho na ferraria ginetes, uma coisa pode ter certeza ia sentir-se com a alma lavada, relaxada e com muita vontade de regressar…..
    Todos as ilhas dos Açores, são maravilhosas, todas diferentes, mas com belezas naturais de perder a respiração.

  5. Ana raposo

    Só ainda temos muito mais lugar da praia poço azul etc pelo menos uma semana para conhecer o principal mas e muito bom saber que gostaram e que falem bem das nossas maravilhas serão sempre bem vindos tive recentemente de férias em santa Maria que também adorei tem um deserto vermelho de perder a vista praia formosa um espetáculo nada nas ilhas e repetido

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