7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Voltaremos a encontrar-nos, São Miguel! (parte II)

 

~~DIA 2 ~~

Acordámos cedo e tomámos o pequeno-almoço no hotel. Que delícia começar o dia com o queijo fresco, que aqui se chama “branco”, com ou sem pimenta da terra e os mini-bolo lêvedos!

Seguimos em direcção à Lagoa do Fogo.

Pelo caminho apanhámos sol, chuva da grossa, novamente sol e depois nevoeiro.

E foi assim que a encontrámos: debaixo de nevoeiro cerrado (conseguíamos ver apenas um cantinho da Lagoa). Mas tivemos sorte. Muita sorte. Não tinha passado um minuto sequer desde que saímos do carro, levantou-se uma ventania desgraçada que me levantou o vestido, o casaco dele mas também o nevoeiro. E de repente – em segundos – o nevoeiro desaparece e a Lagoa estende-se diante de nós, lindíssima, numa imagem limpa.

Eu continuei arrepiada o resto do tempo mas acho que já nem era frio que sentia. Era o efeito daquele sítio encantador que parece nem ser real! Lembro-me de ter voltado a pensar que temos de voltar lá com as miúdas…

Dali até à Caldeira Velha foi um instante. Este é mais um lugar selvagem, mas cuidado, onde o cheiro a terra se misturava com o aroma fresco da vegetação. E, para onde quer que olhássemos, víamos pedacinhos de paraíso.

Apetecia-nos um café – porque um café sabe sempre bem a qualquer hora do dia e porque estava a ficar frio. O Raminhos lembrou-se de um sítio onde ficou hospedado numa das visitas anteriores e que, disse ele, era mesmo o meu género.

Lá chegámos e ele lá acertou em cheio. Não me importava nada – nadinha – que aquela sala, onde bebemos o desejado café, fosse a sala da minha casa. Pela decoração, pela estrutura do edifício e pela vista: uma janela enorme a dar para o azul do mar. Fica ali na Ribeira Seca e chama-se Santa Bárbara Eco-Beach Resort.

Como ainda não tinha estado no centro de Ponta Delgada, foi para lá que seguimos. Andámos pelas ruas do centro, passámos nas famosas Portas da Cidade e metemos por ruas estreitinhas a passear.

Uma amiga tinha recomendado irmos ao Louvre Michaelense e nós lá demos com o espaço: uma antiga mercearia que conserva as prateleiras de antigamente, com produtos regionais à venda e que é, na verdade, uma café e restaurante que serve umas refeições ligeiras com várias opções saudáveis.

Pedimos uma espécie de tiborna de abacate com queijo da ilha e ovo (super leve, fresca e saborosa) e uma salada de bulgur. Ficámos satisfeitos com a escolha – porque estava de facto tudo muito bom e tínhamos almoçado de forma mais “light”. Mas – e há sempre um mas – a pessoa que nos atendeu disse que era um crime não provar o bolo de chocolate do Louvre. “Há pessoas que vêm do continente só para comer este bolo!”, disse com o ar mais assertivo. E nós, uns fáceis, mandámos logo vir uma fatia e dois cafés. Foi só o melhor bolo de chocolate que eu já comi na vida, ficam a saber!

Ali ao pé do Louvre fica a barbearia do nosso amigo João Rocha, que conhecemos há uns aninhos na Terceira e que agora se mudou para São Miguel. Fomos visitá-lo e o Raminhos saiu de lá com uma barba nova e o cabelo todo bem penteadinho “à homem”.

Era a noite do espectáculo dele no Coliseu Micaelense. Fomos até lá para fazerem os testes de som e eu apaixonei-me por aquela sala magnífica, que acabou de completar um século de vida.

O espectáculo correu muito bem e fechou da melhor forma esta experiência em São Miguel. Ficou muito por ver e fazer mas isso é o melhor das viagens: ter sempre motivos para voltar.

São Miguel, voltaremos a encontrar-nos!

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