7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Sobre este nó que tenho de desatar

Terminei o verão com uma certeza: está na altura de dar mais tempo às palavras. Conseguir ler mais aquelas que os outros escreveram. Conseguir escrever mais aquelas que são minhas e quero partilhar

Escrever sempre foi aquilo que mais gostei de fazer – e isto desde que me lembro de ser eu. Sempre foi, também, a tarefa que mais luta me deu e mais sofrimento me causou. Perante a folha ou o ecrã do computador, acontece muitas vezes tudo me parecer pouco, fraco ou insuficiente.

Ao longo dos anos fui deixando as palavras ficarem para trás, para agarrar empregos que me pareceram mais interessantes, mais desafiantes, mais bem pagos e – em alguns momentos da minha vida – mais compatíveis com o facto de ser mãe.

Mas este verão decidi rasgar com tudo.

Cheia de medo – primeiro – e de coragem – depois, quando ela lá chegou – olhei para a minha vida, fiz escolhas, comuniquei-as, assumi as consequências, agradeci pela oportunidade (incrível) de poder escolher e fiquei em paz com tudo isto. A guerra chegou depois, com este bloqueio gigante que tomou conta de mim.

E eu, que para todas as outras coisas da vida não tenho tempo nem espaço para grandes hesitações, que resolvo e chuto a bola para a frente, comigo sou uma desgraça.

Sei que vou lá com mais foco e disciplina. Com uma boa dose da minha teimosia canalizada para o que tem de ser. Com mais livros lidos, com algumas formações pontuais que ajudem a abrir umas janelas e, lá está, a desbloquear alguns pontos. Mas estou só na linha de partida deste caminho.

Quase a fazer 38, o meu medo já não é o das cobras e o do escuro. É o de não conseguir dar conta do recado. De não conseguir fazer aquilo que mais gosto quando tenho, finalmente, todas as condições do meu lado.

É o medo de desiludir-me (e desiludir os outros).

Raios partam isto.

~~ .. ~~

PS: há coisas curiosas! Acabei de escrever este texto e vejo no Instagram do Raminhos um desabafo dele com alguns pontos em comum. Por alguma razão o universo nos juntou 🙂

 

 

8 comentários em “Sobre este nó que tenho de desatar

  1. Carla Gomes

    Olá Catarina
    Não costumo comentar nem em redes sociais nem em blogs. Mas não sei porquê dei por mim a escrever uma mensagem ao Raminhos sobre o desabafo dele. E agora sinto também que o devo fazer. Talvez porque nestes dias tenho-me sentido assim também… Também sou mãe de 3 filhos e entendo cada palavra e até consigo sentir o mesmo. Mas, lá no fundo, eu sei que sou capaz e a Catarina também sabe. Nós sabemos de que fibra somos feitas e sabemos que se foi esta a escolha que fizemos, é porque está certa. A Vida já me mostrou várias vezes que nada é ao acaso. Por isso só temos de descansar, descomplicar e avançar. O caminho faz-se caminhado e é sempre em frente! Beijinho grande

    1. Catarina Fernandes Raminhos Autor

      Olá Carla,
      Muito obrigada pela sua mensagem 🙂
      Desejo-lhe uma boa caminhada (e que estes bloqueios sirvam apenas para nos tornar mais fortes).
      Um beijinho!

  2. Sílvia Nobre

    Força Catarina! Adoro a sua escrita, continue… Uns passeios na natureza podem inspirá-la, feche os olhos e “viaje” até a uma ilha açoriana 😉 O Raminhos que arranje uma atuação na ilha das Flores e em São Jorge e tirem uns 3 dias para cada uma, vão ficar inspirados…

  3. Branca Silva

    Olhe eu tenho para mim esta frase que me acompanha,. antes vale arrepender me do que fiz, do que não fiz,.. Se não fizer, o SE, vai persegui la para sempre… Ai se eu tivesse arriscado, ai se…vá em frente, a vida é feita de escolhas e se acha que é isso que quer pra sua vida, força 💪 beijinhos 😘

  4. Carmen sousa

    Catarina só agora cheguei 😊mas ja gosto da maneira como escreve, da maneira como descreve e relata os acontecimentos 😊 que vai correr tudo bem, fico à espera do primeiro livro 😊 será que vai ser um romance ?

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