7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Irmãos, é tempo de gerir expectativas…

Foto da Inês da Yellow Savages

Com maior intensidade desde que o mês de dezembro começou, dou por mim a ter de gerir expectativas. E isto a toda a hora.

Têm diferentes origens, mas colocam-me aqui num limbo mental e emocional. Passo a explicar, por pontos, antes que pensem que fritei a pipoca:

1. Presentes e outras coisas:

Nesta altura do ano, tenho a família inteira a perguntar o que sugiro que ofereçam às miúdas. Juro que ao terceiro telefonema apetece-me dizer: “nada, por amor da Santa, que elas já têm muita coisa!”.

Quando eu era miúda, recebia presentes apenas no aniversário e no Natal – e, mesmo no Natal, eram três ou quatro. E eu dava-lhes valor. Brincava com esses brinquedos (até porque não tinha outros!). A verdade é que eu tenho sempre este receio – pavor até – que, recebendo muitas coisas, as miúdas as desvalorizem.

Acho que isso ainda não aconteceu, mas talvez porque desde pequenas que estão habituadas a separar brinquedos – novos e usados – no dia seguinte ao aniversário e ao Natal, para entregarem a instituições.

Para mim é libertador livrar-me de coisas. E nem sequer é uma questão puramente altruísta: gosto de pensar que estou a ajudar alguém, como é natural, mas faço-o muito por este receio que tenho que as minhas filhas se tornem consumistas. E também por saber que, livrando-me de uns quantos brinquedos, torna-se mais fácil arrumar o quarto delas…

Chamem-me o que quiserem. Mas eu não tolero a ideia de que possam sequer achar que as coisas – sejam elas brinquedos, roupas ou sapatos – caem do céu e não custam a ganhar.

2. Comida em geral (e doces em particular)

Mal eu vejo o calendário a mudar do mês 11 para mês 12 dá-se-me uma fúria.

É como se o meu cérebro lançasse alertas ao meu estômago em forma de música natalícia – ou até de reza. Do género: “É Natal, é Natal! Está na altura de encher o bandulho. Venha a nós tudo o que é rabanadas, filhós, bolos rainhas e afins. Lá se foi a dieta. Paz à sua alma. Amén!”

Eu tenho constantemente de mandar o meu cérebro dar uma volta. Mas isto dá um trabalhão do caraças – e confesso que, qual Padre Amaro, nem sempre consigo resistir à tentação! Para terem uma ideia, estou a escrever isto e sinto água a crescer na boca só de pensar nos bolos da montra da pastelaria onde esta manhã comi o meu pãozinho com queijo sem manteiga. Raios partam!

Ainda falta uma semana para o Natal e eu já entrei em estágio – mas não aquele para o qual a minha nutricionista me convidou. Digamos que se o estômago vai dilatando, no meu já cabia todo o saco de presentes do Pai Natal por esta altura…

3. O fim de 2018 e o princípio de 2019

Já fui muito mais de encarar a mudança de ano como uma oportunidade de mudar alguma coisa na minha vida. Aprendi que é muito mais simples, e inteligente da nossa parte, pensarmos que se se trata de uma coisa boa para começar em janeiro do próximo ano, então muito provavelmente é algo que vale a pena começar já. Ou, o mais tardar, amanhã.

No entanto, para todo o universo há esta coisa do ano que vem. Então nós, como parte do universo, temos projectos aos quais queremos – e estamos a – dar forma, mas temos de pensar neles como “projectos de 2019”. E aceitar que em dezembro não se avança com nada porque, lá está: é Natal!

São muitas as expectativas para gerir, caramba! Acho que vou só ali abrir a caixa dos Ferrero Rocher para me acalmar um pouco…

Quem está comigo nesta luta?

4 comentários em “Irmãos, é tempo de gerir expectativas…

  1. Marisa

    Sem dúvida! A parte de gerir prendas, quero comprar com antecedência para aproveitar os últimos dias pré natal a relaxar e não enfiada em centros comerciais, mas depois se compro demasiado cedo não podem trocar as prendas porque há prazos…todos os anos sempre o mesmo drama. Com respeito à comida nem se fala, já só penso nas comidas que vou fazer, nas quantidades, variedade e qualidade! Resta-nos 2019 para começar ou recomeçar a dieta 😉 Catarina, para si e para os seus uma feliz e Santo Natal e um 2019 excelente.

    1. Catarina Fernandes Raminhos Autor

      Olá Marisa,
      Este ano também me despachei nas compras. É um descanso 🙂
      Desejo-lhe um bom Natal – doce, de preferência 🙂
      BEIJINHOS

  2. Ana

    Acho que esta época acentua, ainda mais, todas as expectativas que temos de gerir no quotidiano. Por vezes tenho a impressão que nos perdemos nessa gestão e esquecemos o essencial: estarmos junto de quem amamos. E não falo de estar junto fisicamente, pois por vezes, estando a apenas alguns metros, estamos tão distantes…falo de estarmos juntos de verdade, de coração e mente abertos, prontos para amar e ser amados.

    Mande as expectativas e a sua gestão dar uma volta, Catarina, e passe um Feliz Natal, bem juntinho de quem mais ama!!!!

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