7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Marie Kondo ou como trazer alegria ao nosso mundo

Esta semana comecei a acompanhar na Netflix a série “Tidying up with Marie Kondo” (que pode traduzir-se por “arrumando com Marie Kondo”). E confesso que a vi em dois dias (porque não foi possível vê-la de enfiada, apesar de essa ser a minha vontade).

Antes de mais, a série prende pela doçura da apresentadora. Toda ela é delicadeza, simplicidade, beleza e serenidade. E é isso que pretende espalhar pelas casas das famílias americanas que visita – através da arrumação e da organização, pretende trazer alegria e serenidade às casas e, sobretudo, à vida destas famílias.

E é impressionante observar a mudança que ela provoca! Do caos, as divisões passam à harmonia; da desorganização, ao conforto; e, muitas vezes, do feio ao inspirador. E tudo feito por cada um, em sua casa, com base nas orientações de Marie e no método de organização que ela própria criou, o “KonMari”.

 

Segundo este método, os objectos devem ser organizados por item e não por divisão. Começa-se sempre pelas roupas – devemos manter apenas as peças que nos suscitam alegria e que queremos que continuem na nossas vidas e devemos deixar ir as restantes, agradecendo o tempo que estiveram connosco e aquilo que nos ensinaram.

Depois das roupas vêm os livros: temos de os “acordar” para perceber o que nos dizem e se nos trazem alegria. Como as roupas, deixamos ir aqueles que não falam ao nosso coração.

A seguir vem a papelada, o “komono” (itens variados, nos quais se incluem os objectos de cozinha e casa-de-banho por exemplo) e por fim os objectos afectivos.

Há milhares de pessoas a seguirem este método porque é eficaz (Marie Kondo diz que só precisamos de o implementar uma vez e depois manter), mas sobretudo porque nos faz olhar de outra forma para as nossas casas e para as coisas que fomos trazendo para o seu interior. Porque cada coisa tem uma carga, um peso, e vê-las sair pode tornar-se libertador. Porque uma casa mais organizada traz mais harmonia e faz-nos olhar para o futuro de uma forma mais serena.

Há um ano fizemos a mudança para esta casa – que, sabíamos desde o primeiro instante, era uma casa “entre casas”, até a nossa estar construída no prazo de um ano. Uma mudança que não foi planeada, que foi feita à pressa e por uma empresa (no contexto do programa “Missão 100% Português”).

Durante umas três ou quatro semanas eu não sabia onde tinha as minhas coisas e tinha caixas com roupa, copos e livros, tudo misturado. Andei – andámos – essas semanas às aranhas, completamente desorientados e até com aquela sensação de que estávamos deslocados. Andávamos mesmo tristes, para dizer a verdade.

Uma tarde em que as miúdas foram para casa de uns amigos, metem-nos os dois na garagem e fizemos “a mudança da mudança”. Abrimos todos os caixotes, um por um, e começámos a organizar as coisas. Livros que são mesmo importantes vieram cá para casa (porque apesar de ser temporária temos de nos sentir “em casa” aqui); outros que não lemos todos os dias mas que são importantes foram guardados em caixotes só de livros. Muitos demos para a quermesse.

Fizemos o mesmo com loiças de cozinha, roupa de casa e objectos diversos. Ao fim de cinco horas sem sair da garagem, tínhamos apenas um quinto dos caixotes, sabíamos o que estava em cada um deles e devo dizer que a sensação foi de alívio. Olhar para a garagem quase vazia – quando antes era o caos – foi libertador. Saber que quando mudarmos de novo de casa vamos carregar apenas o que faz mesmo falta é uma sensação boa.

“Menos é mais”. Foi esta a frase que tivemos sempre na cabeça. Que continuamos a ter nesta casa e que vamos levar para a próxima. Sem saber, a Marie Kondo fazia sentido na minha vida muito antes de a ter conhecido.

“Domo Arigato!”

Um comentário em “Marie Kondo ou como trazer alegria ao nosso mundo

  1. Andreia Abrantes

    Olá Catarina. Antes de mais parabéns pelo blog. É fantástico e é tão verdadeiro, sabes transmite-me a vida de uma mãe real, não uma mãe ficcional. Estou agora em mudanças e este metodo de arrumação é definitivamente a minha orientação. Obrigada por partilhares isto e muito mais.

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