7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Às vezes “só” temos de parar

Parar, abrandar e descansar são verbos que dificilmente cabem numa casa onde haja crianças.

Aprendi, a duras penas, que às vezes é preciso inventar esse espaço.

Tenho uma tendinite no braço direito (que jeitinho que veio dar-me!) desde dezembro. Procurei a medicina tradicional chinesa porque evito ao máximo recorrer a químicos para o que quer que seja.

Tenho levado injecções com compostos de plantas medicinais, tenho feito acumpunctura e colocado adesivos para corrigir a posição dos músculos.

Hoje ouvi da minha doce terapeuta a seguinte frase: “Catarina, o braço está melhor, mas está longe de estar curado. E eu até posso fazer o pino para a ajudar mas o que realmente importa só depende de si. Tem de parar de vez em quando e descansar”.

Não é novidade que é importante descansarmos – até porque sentimos essa falta em todos os centímetros quadrados do nosso corpo – mas de facto só tomamos consciência quando nos dói, desta forma tão literal.

Vou aprender a parar. A ir à praia e ficar só a olhar para o mar. Vou aprender a descansar. A olhar para o chão da sala e imaginar que não está cheio de brinquedos espalhadas por todo o lado. Vou aprender a abrandar. E dizer ao relógio que sou eu que mando.

Vou fazer isto porque preciso que esta dor terrível e que me cansa tanto desapareça. Porque não quero acordar com a sensação de que fui atropelada por um camião. Porque não quero sentir-me sempre tão no limite – tão cansada e tão amarrotada por dentro que só encontro defeitos por fora.

Há coisas lá em casa que vão deixar de ser feitas? Há. Há trabalhos que vou demorar mais a entregar? Há. Alguém vai morrer por isso? Acho que não…

5 comentários em “Às vezes “só” temos de parar

  1. Sofia Pinto

    Como a compreendo… parar é tão difícil! Mãe de 2, também com dores horríveis no ombro/braço direito. Espero que consiga parar e recuperar! Bjos

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