7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Estamos a fazer o ninho

    

Casa nova – parte 1

Construir uma casa é um processo que exige dinheiro (ou mesmo as poupanças de uma vida), tempo, paciência e persistência. Mas também envolve amor – porque projectamo-nos a viver lá, em família. Porque se traduz num sonho colectivo – num objectivo comum.

Durante os últimos meses, por várias vezes, surgiu-me a expressão “fazer o ninho”. Acho que nunca o verbalizei, mas pensei muitas vezes que “estamos a fazer o ninho”. E até encontro aqui uma metáfora engraçada, porque a nossa casa está a ser feita com materiais sustentáveis e ecológicos, maioritariamente com cortiça e madeira vinda de florestas protegidas do norte da Europa (carregada por gruas e não no bico de um passarinho). Está a ser construída com coisas que se encontram na natureza, tal como num ninho.

E não é que já alguém tinha feito o seu “ninho” aqui?!

É um projecto alternativo na medida em que foge à norma, à alvenaria. Tivemos sorte com os arquitectos da OTK, que perceberam exactamente o que queríamos. Primeiro apresentaram-nos um projecto brutal – lindo de morrer – mas que ficava demasiado caro para nós e não tão simples e funcional como imaginámos. A segunda proposta foi certeira: uma casa de linhas simples, cuja entrada separa a parte social dos quartos, com um desenho minimalista e uma ligação estreita entre o interior e o espaço verde exterior

E como tudo o que é alternativo no nosso país, o projecto sofreu algumas resistências.

Em primeiro lugar, na aprovação do crédito à habitação. Há pouquíssimos bancos a apoiarem “este tipo de construção”, como ouvimos chamar a esta arquitectura eco friendly, como se se tratasse de uma barraca. Fechámos mesmo a conta que tínhamos no Banco Popular depois de recebermos um “não” muito redondo… Encontrámos resposta no Banco Santander, mas sabemos que o Banco Bic e a Caixa de Crédito Agrícola também têm aprovado créditos para casas de madeira como a nossa – pelo menos aqui na zona.

Ultrapassada a fase do empréstimo, tivemos de esperar a aprovação da câmara. E se o projecto foi aprovado com alguma celeridade, o mesmo não se pode dizer das especialidades, que tiveram de esperar uma eternidade até terem luz verde. Além da espera, preparem-se para pagar uma nota preta por este papel – duas folhas de papel, na realidade! Os impostos são uma parte substancial do orçamento.

  

Agora, já temos as máquinas da Wood Houses no terreno a tratarem das fundações, enquanto em estaleiro as paredes começam a ser erguidas – outra vantagem de uma casa em madeira é que pode ser construída em menos tempo e não estar tão dependente das condições climatéricas, porque grande parte do trabalho acontece no estaleiro.

O ninho começa a ganhar forma. Enquanto isso, apostados numa casa o mais ecológica possível, temos procurado materiais naturais e soluções com pegada carbónica nula ou mesmo negativa. Tem sido um desafio, mas ao mesmo tempo um prazer descobrir estas soluções que, no final de contas, também vão tornar a casa mais confortável, temperada e isolada de uma forma natural. Vamos usar muita cortiça, quer como revestimento das paredes, quer no chão.

Neste momento, a casa saiu do papel para começar a ganhar forma – ou estrutura – no estaleiro. Falta decidir muitas coisas (cozinha, casas de banho, painéis solares, espaços verdes entre tantas coisas). Mas eu já me imagino a andar lá por casa, descalça e feliz.

7 comentários em “Estamos a fazer o ninho

  1. Paula Ungaro Rola

    Parabéns Catarina e Raminhos, não só pelo início das obras na casa nova, mas pela vossa persistência de seguir em frente com um projeto sustentável.

    Tenho a certeza que será um ninho carregadinho de amor e muitas alegrias… já com três andorinhas lindas incluídas ❤❤❤ Vou acompanhando 🍀

  2. Ana

    Bom dia Catarina,
    Primeiro que tudo muito obrigada pela partilha da vossa luta.
    Ando também a tentar construir mas desisti logo das casas de madeira pois foi-me dito que era impossível ter empréstimo pois as seguradoras não faziam seguros para este tipo de casa. Pelo que me virei para a construção LSF que já seria uma conversa diferente por terem fundações convencionais.
    Muito obrigada e boa sorte com tudo!

  3. A Mamã da Cama 13

    Muitos parabéns! Por acaso nunca tinha ouvido/lido tal coisa mas acho que é uma ideia fantástica e, que faz toda a diferença. Já para não falar que é toda uma descoberto bastante interessante e é um excelente exemplo que estão a dar a toda a gente.

    Beijinhos

  4. Teresa Miguel

    Boa tarde Catarina. Muitíssimo obrigada pela sua partilha. Vou seguir o processo com todo o interesse. Alguém num comentário aconselhou a pensar em aspetos funcionais a longo prazo, pela minha experiência concordo plenamente e acrescentaria, pensar em aspetos que a tornem vendável para um leque alargado de público alvo. A vida dá muitas voltas…
    Desejo as maiores felicidades para a gozarem.

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