7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Quando eu era miúda, os dias de julho não cheiravam a terra molhada

Hoje de manhã, enquanto caminhava à chuva – e com um certo frio – na vila, lembrei-me das minhas férias grandes, em miúda, e do cheiro que elas tinham.

Tenho a certeza absoluta que esses dias não cheiravam a terra molhada, mas sim a flores a transpirarem ao sol. Ao côco do bronzeador que os meus pais usavam. Ao cloro da piscina. Ao iodo das algas no mar. A corneto de morango.

Na altura, em julho era verão e lá íamos nós de férias para o Algarve. Em duas semanas, havia sempre um dia em que chovia – e apenas um! Nesse dia, íamos todos a Ayamonte comer boquerones, calamares e outras coisas do mar fritas (que eles lá não grelham nada!).

Sabíamos, porém, que se era julho os dias eram de calor e havia sol desde manhã até quase à hora de jantar.

E havia praia e piscina, gelados depois de almoço e passeios junto ao mar depois de jantar. Talvez um tererê feito no cabelo por um hippy ou uma pulseira com o nome feita com aquelas linhas coloridas que a avó usava na máquina de costura.

Mais do que o tempo que passou desde essas férias, preocupa-me o que se passa com este tempo. E preocupa-me que haja líderes mundiais que defendam que o aquecimento global é uma espécie de conspiração de alguns países europeus.

Esses líderes devem ter crescido sem férias grandes, sem praia e sem passeios à beira-mar. E sem um montão de outras coisas, também. Uma pena (para eles e para todos nós!)

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