7 da tarde e ainda não lavei os dentes

E, aos 9 anos, a Maria Rita fez a derradeira pergunta…

“Mãe, o Pai Natal não existe, pois não?”

A pergunta – mais assertiva do que muitas afirmações – chegou sem pedir licença, ontem à noite, quando as deitava. Acho que fiquei uns segundos sem reacção. Por um lado, queria muito que continuassem a acreditar por mais uns anos; por outro, tenho este princípio de lhes dizer sempre a verdade, quando me perguntam, o que quer que seja, de forma directa.

Disse então que podemos não acreditar na existência de um senhor velhote e de barbas brancas, que anda de chaminé em chaminé num trenó puxado por renas, mas que podemos – e devemos – acreditar no espírito de Natal. Nesta coisa quentinha que sentimos no coração e que tem mais a ver com a nossa disponibilidade para os outros do que com as luzes e os enfeites na árvore.

“Por isso é que o Natal devia ser todo o ano”, completou a Maria Rita, de lágrimas nos olhos – porque para ela foi duro descobrir a verdade. Até para mim, quanto mais para ela! Ainda para mais porque parece que uns meninos na escola gozaram com ela por acreditar…

E a Maria Inês, coitada, com menos dois anos, acaba por descobrir sempre tudo ao mesmo tempo da irmã, porque partilham o quarto. Porque partilham tudo… Sinto que fico sempre a dever-lhe dois anos de ilusão (acerca do Pai Natal, da Fada dos Dentes e de outras coisas mágicas com prazo de validade).

“Então tu e o pai sempre que falavam no Pai Natal estavam a mentir. E mentir é feio!” Fiquei novamente em silêncio durante uns segundos. Expliquei então, como se falasse com adultos – porque não sei falar com elas de outra forma – que quando nos cabe a tarefa de educar os nossos filhos, temos de os fazer crescer com um conjunto de coisas: com afectos, com disponibilidade, com tempo para eles, com regras, com uma boa alimentação, com cuidados médicos e com magia à mistura. Sem magia, ilusão e imaginação uma criança não consegue crescer de uma forma feliz.

Safei-me, assim, do raspanete em relação à mentira. Mas sinto, sobretudo, que fui honesta com elas e isso deixa-me descansada.

Terminámos a conversa a falar do espírito de Natal – desta coisa que sentimos de mágico nesta altura do ano e que devíamos transportar para o resto do ano – e elas disseram que sentiam muito isso na nossa casa e na nossa família. Valha-nos isso.

13 comentários em “E, aos 9 anos, a Maria Rita fez a derradeira pergunta…

  1. Inês Esteves

    Fiquei de lágrimas nos olhos com a descoberta da Maria Rita bem como com a explicação da Catarina.

    Também tenho uma irmã mais velha dois anos e ainda hoje me lembro do dia, em que ela provavelmente descobriu que o velhinho das barbas não existia, se virou para mim e disse “és mesmo parva, não vês que o Pai Natal não existe?” que aperto no coração… Ela deve ter ficado tão triste com aquela descoberta que não conseguiu guardar só para ela.

    Eu, hoje, com um filho de 15 meses, que ainda não sabe o que é o velhinho das barbas brancas, já imagino o que vou inventar todos os Natais para fazer que ele acredite o máximo tempo possível…

    Parece que deixam de ser um bocadinho mais crianças com estas descobertas.

    Parabéns Catarina.

  2. Carla Gomes

    Imagino a angústia… Mas tinha de chegar o dia. A minha filha mais velha já sabe, tem 11 anos. Os outros 2, com 7 e 5, ainda continuo a “mentir” e a esticar a magia. Acho que essa magia e encanto passa também para nós…
    Obrigada pela partilha da conversa com as suas filhas, vai de certeza ajudar-me com os outros.

    Beijinhos e Feliz Natal

  3. Elsa

    Olá Catarina, aqui também tive o mesmo caso. Não foi fácil, mas tentei ir pelo lado da magia de nós acreditarmos na fada dos dentes, no Coelho da Páscoa, no Pai Natal e até do Harry Potter…assim como em todas as personagens dos livros que lemos. No final até foi engraçado e a conclusão foi : acreditamos naquilo que queremos acreditar!! Beijinhos

  4. Inês mota

    Olá
    Não consigo deixar de comentar! Cá em casa sempre houve, e continuará a haver, fadas dos dentes, Pai Natal, duendes e muita magia! Sempre que vão questionando a minha resposta é: existe sim! Existem no teu coração! E nunca deixes que ninguém os tire daí!
    E odeio quando quando adultos cheios de razão lhes vão dizer que não existe Pai Natal! E tenho pena dessas pessoas que vivem sem Ilusão, sem amor no coração, sem perceberem o significado destas personagens e o bem que elas fazem no crescimento das crianças e adultos!
    Deixem existir o Pai Natal! Deixem viver a Fada dos dentes! Deixem haver duendes nos nossos jardins! ACREDITEM com o coração em lugar de acreditar com a razão!
    IM

  5. Fátima Almeida nunes

    Ontem a minha com 8 anos fez também a pergunta.- mãe tenho uma pergunta e quero que sejas sincera. Respondi- lhe: sou sempre.
    – mãe o pai Natal não existe, pois não. Comecei-me a rir, porque não estava nada á espera e perguntei lhe se ela acreditava e ela disse que sim,mas os amigos dizem que não e que são os pais que compram. Ao que respondi que o pai Natal traz lhe sempre uma prenda que ela pediu e ela vai sempre comigo às compras ( mãe solteira).
    Quando souber a verdade vai dizer que afinal eu minto, mas já estou preparada- continuar com a magia e permitir que eles sejam felizes

  6. Ana

    Olá!
    Ainda não tenho filhos por isso não sei como vai ser. Mas lembro-me bem como foi comigo. Quando comecei a desconfiar que o pai natal 🎅 não existia a minha mãe veio falar comigo e disse-me, “Sabes filha existem muitas crianças no mundo, e algumas com mais dificuldades que tu, por isso o Pai Natal falou connosco se podíamos ajudá-lo e vêm entregar as tuas prendas a mim e ao teu pai uns dias antes, para puder no dia de Natal estar com aqueles que mais precisam!” e eu acreditei. Por isso por mais que a figura do senhor barbudo fosse desaparecendo da minha magia Natalicia esta passou a dar lugar hás pessoas que amo por isso nesta altura chamo Pai Natal e Mãe Natal aos meus. E nunca senti que me tivessem mentido porque ele existe e cada um pode ter o seu! 😘🎅🤶

  7. Anabela Malva

    Eu saí da cama, às escondidas, e apanhei os meus pais a porem as prendas no sapatinho, debaixo da chaminé. Já andava desconfiada e naquele dia senti-me a miúda mais inteligente do mundo, tinha descoberto a verdade!! 😊. O espírito de Natal mantém-se, pois o Sr das barbas brancas é muito fofinho.

  8. Mafalda Daniel

    Bom dia,

    Na minha casa o Natal sempre foi do menino de Jesus, tínhamos vista para o Cristo Rei e a minha irmã pedia-lhe prendas á janela em vez escrever cartas ao Pai Natal…
    Sempre expliquei aos meus filhos que o Natal era sobre o menino de Jesus, e que apesar de o pai Natal na nossa casa não fazer parte do nosso imaginário, faz quem acredita mais feliz e devemos respeitar, porque o Natal é isso respeitar e amar o próximo…
    Mas por um qualquer motivo que não consigo explicar, a minha filha quer acreditar nos dois…
    Ontem dizia-me: – Mãe mas eu gosto do Jesus mas também do Pai Natal .. faz mal???
    Como é óbvio disse-lhe que não, que ela era mais feliz que os outros porque tinha dois amigos!!!
    É engraçado como as crianças se adaptam ao que mais desejam… No fundo acho que a minha filha quer não desagradar as amigas nem a família vistos termos visões diferentes…
    Mas apesar de todos estes sentimentos ela é feliz porque a magia dela parece ser a dobrar e fala dos dois como se fossem amigos de longa data…😄😄😄

  9. Susana S

    Olá Catarina! Ainda não sou mãe, mas por acaso ando a pensar neste assunto (porque tenho pequeninos na família…!). A verdade é que também acho que não devemos mentir aos garotos…. devemos deixá-los acreditar e incentivar a magia, mas no dia que os meus me perguntarem directamente, farei como tu e direi a verdade. Eu odeio que me mintam, por isso não quero fazer o mesmo aos meus! E o Natal é muuuuuuito mais que o Pai Natal, será isso que tentarei transmitir 🙂

  10. Patrícia

    Olá Catarina!
    Por aqui a vontade de acreditar era incrivel .
    A questão colocou se nós dois últimos anos mas sempre com o meu filho que vai fazer 12 anos, a dizer que na escola lhe diziam que o Pai Natal não existia e ele a dizer me que respeitava a opinião deles , mas que tinha pena que não respeitassem a dele.
    Ha duas semanas num almoço, uma outra mãe ´descaiu se ´ e aí sim a conversa depois impôs-se.
    Expliquei lhe que é uma tradição de pais para filhos e que é uma magia que se passa no coração de cada pessoa que assim o deseja.
    No fim disse-me que queria que a mana ( de quase 7 anos) continue a acreditar e que iríamos continuar a viver o Natal como sempre fizemos.
    Uff, senti um alivio ! Sobretudo que o meu marido pressionava me imenso para eu lhe contar , com receio que na escola gozassem com ele.
    Segui sempre o meu coração e tudo fez sentido de repente.
    Umas festas felizes para vocês !

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